quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009



As melhores ondas



Q: O que pode demonstrar, na tua opinião, o filme "Matrix" acerca do problema do livre-arbítrio? Porquê?
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«Apesar de o filme "Matrix" ter uma ligação à Filosofia, essa ligação resume-se apenas ao facto de se estar ou não aprisionado dentro do Matrix. O filme "Matrix Revolution" ("A revolução do Matrix"), o terceiro filme, tem uma ligação mais forte com a Filosofia, devido às palavras de Smith, ao falar da sua nova filosofia e, de uma certa maneira, ele diz que está tudo determinado. O mesmo se passa no "Matrix Reloaded" ("Matrix Recarregado"), o segundo filme, em que Smith reaparece não como agente e diz que compreende o significado da sua existência, da existência de Neo e da própria realidade da liberdade. Ele diz que tudo está dependente/determinado pelo "propósito". Diz que o "propósito" é a razão de existir. Em parte, eu concordo, pois acredito no determinismo radical. Estamos todos determinados, não pelo "propósito", mas pelas nossas experiências, desejos e crenças. Por vezes irritamo-nos e revelamos os instintos animais que nos restam. O que prova que, apesar de sermos uma espécie à parte, ainda somos escravos da Natureza. Logo, esta também consegue determinar-nos, mesmo que seja só às vezes.
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É assim que eu vejo a realidade. Eu acredito no determinismo radical, não porque me agrade, mas porque é verdade. Logo, eu também não sou livre quando digo que opto pelo determinismo radical!»
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Francisco Fevereiro 10.º BCT

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009




Filósofos na onda





«Em geral, inclino-me a pensar que a maior parte, senão a totalidade, das dificuldades a que até agora os filósofos têm achado graça, e que bloquearam o acesso ao conhecimento, se devem inteiramente a nós mesmos — primeiro levantamos a poeira e depois queixamo-nos que não conseguimos ver.»
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George Berkeley, Princípios do Conhecimento Humano (1710) Introdução, § 3.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

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Lectio
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Surfistas: 11.º ano.
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«(…) Agora que resolvera dedicar-me apenas à descoberta da verdade, pensei que era necessário (…) rejeitar como absolutamente falso tudo aquilo em que pudesse imaginar a menor dúvida, a fim de ver se após isso acaso ficaria qualquer coisa nas minhas opiniões que fosse inteiramente indubitável.

Assim, porque os nossos sentidos nos enganam algumas vezes, eu quis supor que nada há que seja tal como eles o fazem imaginar. E, porque há homens que se enganam ao raciocinar, até nos mais simples temas de geometria, e neles cometem paralogismos [falácias], rejeitei como falsas, visto estar sujeito a enganar-me como qualquer outro, todas as razões de que até então me servira nas demonstrações. Finalmente, considerando que os pensamentos que temos quando acordados nos podem ocorrer também quando dormimos, sem que neste caso nenhum seja verdadeiro, resolvi supor que tudo o que até então encontrara acolhimento no meu espírito não era mais verdadeiro que as ilusões dos meus sonhos. Mas, logo em seguida, notei que, enquanto assim queria pensar que tudo era falso, eu, que assim o pensava, necessariamente era alguma coisa. E notando que esta verdade – eu penso, logo existo – era tão firme e tão certa que todas as extravagantes suposições dos cépticos seriam impotentes para as abalar, julguei que a podia aceitar, sem escrúpulo, para primeiro princípio da filosofia que procurava.

(…)
Depois disso, considerei de uma maneira geral o que é indispensável a uma proposição para ser verdadeira e certa; porque, como acabava de encontrar uma com esses requisitos, pensei que deveria saber também em que consiste essa certeza. E tendo notado que nada há no penso, logo existo, que me garanta que digo a verdade, a não ser que vejo muito claramente que, para pensar, é preciso existir, julguei que podia admitir como regra geral que é verdadeiro tudo aquilo que concebemos muito claramente e muito distintamente (…).

Depois, tendo reflectido que, já não duvidava, o meu ser não era inteiramente perfeito, pois claramente via que o conhecimento é uma maior perfeição do que o duvidar, lembrei-me de procurar de onde me teria vindo o pensamento de alguma coisa de mais perfeito do que eu era; e conheci com evidência que deveria ter vindo de alguma natureza que fosse efectivamente mais perfeita.

(…) A ideia de um ser mais perfeito do que o meu (…) tê-la formado do nada era manifestamente impossível; e, porque não repugna menos admitir que o mais perfeito seja uma consequência e uma dependência do menos perfeito do que admitir que do nada alguma coisa possa proceder, não podia também aceitar que tivesse sido criada por mim próprio. De maneira que restava apenas admitir que tivesse sido posta em mim por um ser cuja natureza fosse verdadeiramente mais perfeita do que a minha, e que mesmo tivesse em si todas as perfeições que eu poderia idealizar, isto é, que fosse Deus (…).

A isso acrescentei que, visto conhecer algumas perfeições que não possuía, não era o único ser que existia (…), mas que necessariamente devia existir algum outro mais perfeito, do qual dependesse e de quem tivesse recebido tudo o que possuía. (…)

(…) Quem nos garante, com efeito, que os pensamentos que ocorrem em sonhos são mais falsos do que os outros, se muitos deles não são menos fortes e nítidos? Por mais que os melhores espíritos se esforcem, não creio que possam apresentar nenhuma razão que baste para desfazer essa dúvida, se não pressupuserem a existência de Deus.

Na verdade, em primeiro lugar, aquilo mesmo que há pouco adoptei como regra, isto é, que são inteiramente verdadeiras as coisas que concebemos muito clara e distintamente, não é certo senão porque Deus é ou existe, ser perfeito de que nos vem tudo que em nós existe. Donde se segue que as nossas ideias ou noções, coisas reais que provêm de Deus, não podem deixar de ser verdadeiras na medida em que são claras e distintas. (…)

Ora, depois de o conhecimento de Deus e da alma [mente, coisa pensante] ter garantido a certeza dessa regra, é fácil compreender que os sonhos que imaginamos não devem, de modo algum, fazer-nos duvidar da verdade dos pensamentos que temos quando acordados.»

René Descartes, O Discurso do Método, trad. port. Newton de Macedo (Lisboa, Sá da Costa, 1984) 27-29, 32, 33.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Objectivos para o teste (11.º ano)


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- Saber o que é a epistemologia.
(Ver: págs. 118 do manual adoptado + apontamentos)

- Apresentar o problema do conceito de conhecimento.
(Ver: págs. 118-119 do manual)

- Discutir a teoria do conhecimento como crença verdadeira justificada.
(Ver: págs. 121-127, 132-133 do manual + apontamentos)

- Explicar o problema do cepticismo.
(Ver: págs. 118, 137-140 do manual adoptado + apontamentos)

- Defender a solução de Descartes para o problema do cepticismo.
(Ver: págs. 146-150 do manual + apontamentos)

- Criticar a solução de Descartes para o problema do cepticismo.
(Ver: págs. 152-153 do manual + apontamentos)

Objectivos para o teste (10.º ano)


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- Apresentar o problema do livre-arbítrio.
(Ver: págs. 75-77 do manual adoptado + apontamentos)

- Definir determinismo.
(Ver: pág. 76 do manual)

- Explicar as condicionantes da acção humana.
(Ver: pág. 77 do manual + apontamentos)

- Defender cada uma das três teorias sobre o livre-arbítrio.
(Ver: págs. 80-81; 86-88; 92-93 do manual + apontamentos)

- Apresentar objecções a cada uma das três teorias sobre o livre-arbítrio.
(Ver: págs. 82-83; 88-89; 93-94 do manual + fotocópia-síntese)

- Explicar porque razão o livre-arbítrio é um problema em aberto.
(Ver: págs. 96-97 do manual + fotocópia-síntese)

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009



Rir e pensar
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Surfistas: 11.º ano
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Da dúvida metódica ao cogito


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Descartes ficou tão satisfeito com a sua descoberta que escreveu: «Pensei que poderia considerá-la sem escrúpulos como o primeiro princípio da filosofia.»
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No entanto, Descartes apenas tinha esta sua ideia de uma coisa pensante (res cogitans), não lhe era possível demonstrar que podia conhecer o mundo exterior (res extensa). A fim de mostrar que o pensamento não se podia enganar viu-se forçado a demonstrar a existência de Deus.
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Deus seria a garantia de que:
1. as nossas ideias claras e distintas seriam verdadeiras;
2. não estamos a ser enganados por um demónio maldoso.
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O conhecimento do mundo exterior



Ou seja, todo o conhecimento do mundo exterior é possível graças ao pensamento e não aos sentidos, que nos induzem em erro.
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Fonte: Richard Osborne, Filosofia para Principiantes (Lisboa, Ed. Presença, 1997) 80-82.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009


Lectio
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Surfistas: todos!
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Elementos Básicos de Filosofia, de Nigel Warburton (Lisboa: Gradiva, 2007), é uma edição revista e aumentada de uma das melhores introduções à filosofia, da autoria de um filósofo americano bastante activo e empenhado na divulgação da Filosofia. Num estilo linguístico atraente e fácil, mas filosoficamente rigoroso, Warburton dá a pensar ao leitor os principais problemas da filosofia e discute as suas habituais soluções.
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Para os alunos do 10.º ano são bastante úteis, sobretudo: a "Introdução" (pp.15-28), que responde a algumas questões muito comuns sobre a utilidade da filosofia, se é difícil estudá-la e o que se pode esperar dela; o capítulo "Bem e mal", que, nas pp. 71-90, se dedica à Ética, que será alvo de estudo nas nossas aulas já de seguida e que, nas pp. 96-100, aborda um dos temas de ética aplicada hoje mais discutido, que é o tema da eutanásia (que poderá ser escolhido para ser trabalhado pelos alunos no terceiro período); o capítulo "Política" (pp. 113-147), cujo tema será, em parte, abordado no terceiro período; e o capítulo "Deus" (pp. 29-68), que trata da questão da existência de Deus, e o capítulo "Arte" (pp. 235-259), que trata, entre outras, das questões relacionadas com a definição de obra arte, que serão alvo de opção para uma abordagem de um desses temas a terminar o ano lectivo.
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Para os alunos do 11.º ano serão úteis, sobretudo, o capítulo "O mundo exterior", principalmente pp. 151-162, que trata do problema do cepticismo, e o capítulo "Ciência" (pp. 179-202), que discute os principais problemas epistemológicos relacionados com a ciência, como sejam o problema da indução e o cientismo, questões que abordaremos até ao terceiro período e que, de qualquer modo, nos acompanharão na elaboração das monografias finais.
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A ler.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009



Quaestio

Surfistas: 11.º ano.


Se uma árvore cair numa floresta e não houver ninguém por perto para ouvir, ela fará barulho? Porquê?

sábado, 10 de janeiro de 2009

A Academia de Platão

A escola fundada por Platão, cerca de 387 a.C., tem o nome de Academia por estar situada nos jardins consagrados ao herói ateniense “Academos”. A principal função oficial desta escola parece ter sido o culto das musas, já que uma escola filosófica ateniense deveria ser, por definição, uma comunidade destinada ao culto religioso, com sacrifícios regulares.

Mas, paralelamente ao culto, nela se desenvolveu também uma intensa actividade filosófica e científica, esta última especialmente nas áreas da matemática, da música, da astronomia e da divisão e classificação (primórdios da Lógica), áreas estas consideradas por Platão como propedêuticas (preparatórias) para a actividade filosófica propriamente dita (a dialéctica).

Embora haja autores que sublinham mais a sua função de culto religioso e embora não possa ser considerada propriamente como uma academia moderna, a academia platónica possuía, de qualquer modo, uma importante actividade pedagógica, que se manifestava em forma de lições e diálogos, e que perdurou até 529 d.C., ano em que foi mandada encerrar pelo imperador romano Justiniano.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009



Rir e Pensar

Surfistas: todos!

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Primeira Lei da Filosofia:
Para cada filósofo existe um outro equivalente e oposto.

Segunda Lei da Filosofia:
Estão ambos errados!